domingo, 30 de janeiro de 2011

Vítreo

reluzem teus olhares
ao encontrar com os meus
que se tanto parecem
que se tanto conhecem
mas reagem desse jeito
como se algum defeito
os mudassem de lugares
e dissessem-me adeuS

o que pensas de mim?
preso neste vítreo-muro
imitando o meu viver
sem saber o que fazer
percebendo os meus passos
balançando-se com meus braços
sem saber qual é o fim
deste sobrevir escurO

Forjar os teus gestos
pode parecer inteligível
mas te acompanhar de perto
tornou-me menos esperto
me criei em seu cativeiro
privo-me o tempo inteiro
faço-te mil protestos
porque sois imprevisível

És livre e impaciente
pois não parece concordar
com meus diferentes pensamentos
tornando meus os seus momentos
sem entender sua intenção
ando sempre em contramão
como ilusão permanente
sou você para contrariar

-- Tai Gomes em parceria com Isaque Bressy

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

o Cheiro do amor

As vezes a gente não sabe
que cheiro tem o amor
As vezes ele nem cabe
Em verso de algum escritor

Pode ter cheiro de mar
Sendo infinito e profundo
Pode ter cheiro de luar
Deslumbrante e visível ao mundo

Pode ser um cheiro infalível
daqueles que ficam no ar
Poder ser um cheiro quase invisível
Mas deixa o rastro onde passar

Só sei que o amor tem cheiro de amar
Sentimos, choramos e sorrimos
Sabemos que é bom que nem beijar
Imploramos, gritamos e exigimos


Procurei por todo odor
Mas enfim eu descobri
que o perfume do amor
É o seu cheiro dentro de mim

~* Tai Gomes * ~

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sou de mim

"Tenho que ser para sempre de mim
Afinal, o que seria se não fosse assim?

Quero em mim o som da natureza
A sabedoria e a singela firmeza
quem sabe um pouquinho de beleza
mas o recheio, entupido de amor

Gosto da certeza e da expressão
Da verdade e não da ilusão
Me tenho e não posso me perder
Seria possível isso acontecer?

Posso a mim fazer imposição
Me restringir de coisas e me dizer não
Posso seguir em frente e decidir por mim
Assumir as conseqüências que estão por vir

De mim posso cobrar
Me bater, e até julgar
Eu sou dona de mim
Faço comigo o que tiver a fim

Por isso sou minha pra sempre
decidi isso para que eu me lembre
que me amando posso amar o outro
senti-lo valioso mais que ouro

Cuido de mim
E me guardo em um jardim
e se você me regar
perfumes e cores vou te entregar"


~* Tai Gomes ~*





quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Versejar

"Quero de novo essa vontade
De em tudo ver novidade
Declamar a felicidade
que eu sinto dentro de mim

Quero de novo essa agonia
De misturar o real com fantasia
Entre a tristeza e a alegria
Contando tudo o que eu senti

Quero de novo nos versos flutuar
Descrever o que me faz amar
Falar de tudo sem pestanejar
Cantar feliz feito um colibri

Quero de novo comparecer
Chegar ao ponto de endoidecer
No fim pensar até em morrer
Para nos seus braços me cobrir"

~ * Tai Gomes * ~






quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O verdadeiro valor

Helena era um mulher muito bonita. Vivia se maquiando, passando perfumes, vestindo longos vestidos e saltos de invejar. Tinha um marido. Uma casa com móveis caros, um carro luxuoso e um jardim com todas as mais lindas flores do mundo.
Helena não se importava com o que tinha, passava a maior parte do tempo reclamando da vida, dos seus pertences, e do que pensara em ter.
De manha não acordava o marido com um beijo sequer, resmungava seu ronco, sua barriga que crescera com os anos, e sua mania de querer dormir abraçado com ela.
Marido via Helena como uma princesa, trabalhava como um condenado para dar-lhe conforto e felicidade.
A bela moça, sempre mudava os móveis de sua casa, julgando-os fora de moda e sem brilho. Ofendia o jardineiro, desprezava as faxineiras e cozinheiras, e exaltava sua existência para menosprezar a quem não a agradava. Nada a satisfazia.
Um dia, Marido não amanheceu com Helena.
O jardineiro não foi regar as flores.
As cozinheiras não levaram seu café
As faxineiras não arrumaram sua cama

Haviam se cansado de Helena.

Marido encontrou uma moça que se importasse com ele, e trabalhasse junto a ele para construir tudo a gosto dos dois, compartilhando carinho, sabedoria e companheirismo.
O jardineiro ganhou prazer com as flores do vizinho, e criou o mais lindo jardim do mundo para ele.
As cozinheiras e faxineiras encontraram admiração e respeito em outras casas por seu bom trabalho.

Helena ficou só

Quando percebeu o que fez, já estava só. Divorciada, sem amigos, e cheia de rugas.
Colheu o que plantou, teve o bom e não aproveitou.
Aprendeu a dar valor.


~ * Tai Gomes * ~

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Nossa dança

Nessa dança eu só faço te acompanhar
Logo eu que sabia como dançar
Não olhava para o lado
No salão era só eu e o sapato
E riscava o salto no chão

Nessa dança você me tomou
Seus olhos fixos, me arrebatou!
Para pertinho de ti ficar
No teu ritmo me abalar
E manobrar uma fricção

Agora só danço com você
Todos os passos sei compreender
Ritmados e coreografados
Soltos de alegria e misturados
Motivo exato de contradição

E nessa dança de verdade estou
Me embalando perfumada como flor
E se eu cair você pode me segurar
Ou se não, posso eu mesma me virar
E voltar com os pés no chão.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não quero

Nada a declarar
não tenho como julgar
escorre das minha mãos devagar
Eu só não quero mais ter que declarar

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Estrela

Estrela estava lá, sentada na esquina do nº 17, última quadra de frente à praia e nem se importava com a mínima compostura. Ela palpitava desânimo, seus olhos semi-abertos a apagava junto a sua palidez. Era de se estranhar uma garota sozinha às duas da madrugada em uma calçada. Nada fazia movimentar suas pálpebras, dirá os joelhos! Abraçando-os em num movimento de acalanto, era só, em um cenário sem importância.

Na rua passeava folhas de outono... ela se misturava. O cachorro velho que as vezes mudava de posição sobre o jornal em que descansava sequer notou sua insignificância.

No auge dos seus 15 anos já não havia motivo para viver, nada que enobrecera seus leves cabelos ruivos, e suas sardas avermelhadas.

Estrela, naquela noite não brilhava.

Em transe por mais de três horas e meia decidiu levantar-se e bem devagar caminhar. Solitária alcançava a sua mais perfeita descoberta do nascer do sol. O espetáculo de luzes e a fervura do amanhecer perdurava em um único momento empírico de sua vida desgostosa.

Estrela decidiu ser do mar...

E numa leveza estupenda conheceu o que tinha de mais profundo no mundo. Que naquele momento era só dela... Abraçou as águas, foi levada para longe... Virou a mais bela estrela do mar. E ser do infinito foi a chave do seu rumar.


~* Tai Gomes * ~

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Passarinho

"Voa passarinho!
cuidado por aí sozinho...

Sozinho?? nem vai ficar
mas cuidado para as asas não quebrar

Olha para frente passarinho!
Você acha que não... mas assim você vai ficar sozinho!

Sempre temos que escolher...
Caso contrário escolhem por nós..
E você pode sofrer
E será apenas mais um dos parpalhós"

~* Tai Gomes * ~

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Se isso

Se o desejo te falta
porque ter um fajuto sentimento?
Se é amor, não tem porta
Se é amor tudo importa
Se é verdadeiro porque uma revolta?

Se um desiste o outro não tem mais o que fazer
Se você é tão inconstante não tenho como deter
Eu era você, e você não era eu?
O presente quem te deu?
Você o destruiu? para tuas palavras tudo está no passado...

E eu na minha vida sigo no embalo
Sensível demais

Só te sigo se você for um futuro
Não aguento mais tanto muro
Que mania de querer sofrer
Assim todos os laços irão romper

Cansei de tuas dúvidas
Eu sei o que quero
E mais ainda o que não quero
Não quero você sem me amar

Eu quero prazer ao me beijar
Na praia minha mão segurar
E em paz com você ficar

Se você é um "fazedor" de problemas
Um deles você será - E a desistência é sua no final.


~ * Tai Gomes * ~